Páginas

Mostrando postagens com marcador Ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ficção. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Se é a dor, se é o amor, que me regales

Que me regales mil anos de dores,
mas que não me deixes morrer sem sentir nada.
Oh Deus! Te peço!
Que arranques esse vazio
para que minha alma volte a respirar,
porque agora está sufocada
com nós na garganta.
E, sobretudo, se sentindo uma sala escura,
com um tenebroso e maligno nada como mobília.
Se é a dor que me regala a sabedoria,
é a dor que quero sentir.
E um grande amor também.

domingo, 7 de setembro de 2014

Êxtase

Minha inocência será sua perdição. Me buscarás como um cão faminto busca comida. Não saberás de mim o que não deverás saber; não acreditarás no que posso fazer. Atrás de uma aparente inocência, estará uma porta que deverás abrir mas, se entrares, nunca mais sairás. E, mesmo se souberes das consequências, insistirás em me procurar, pois crerás que o que ganharás será maior do que qualquer prejuízo. E mesmo se minha boca por seu corpo percorrer, temerás o fim. Se assim suceder, não lhe darei nada além de um presente quente acompanhado da friagem do futuro incerto que assombrará tua mente, no entanto, encontrarás alento em minhas mãos e em meio peito sucumbirás de êxtase e paixão.
Na maior ameaça, encontrarás um porto seguro sem promessas nem meias verdades. Complexo e intenso como deve ser. Serei o temor que gostarás de sentir, a chave para um mundo totalmente novo onde serás por vezes caça, por vezes caçador.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Lugares errados

    Ela está sozinha em meio a multidão e seus gritos jamais serão ouvidos. Isso se passa há tanto tempo que não pode nem sabe afirmar se a solidão a pertence ou ela pertence a solidão. É duro. Pobre menina! Já enlouqueceu umas dezenas de vezes, morreu e voltou duzentas. A única coisa que ela parece saber fazer bem é chorar. Chora rios. E sente orgulho em chorar pois é quando sente que ainda há algo dentro dela, algum resto de sentimento, alguma cicatriz. Nas outras 23 horas do dia, sente que o vazio pesa e ela não poderia se sentir mais pesada.
    Talvez ela faça algum filme ou entre para o teatro, porque só Deus sabe como ela passa uma imagem boa quando, na verdade, está morta. Suas mãos e pés são gelados, não importa se faz 47ºC ou -10ºC. E as poucas pessoas que se aproximam, se assustam ao pegar em sua mão. Mal sabe eles que estão tocando na sensação mais próxima da morte.
     Mas não sinta pena, por favor. Ela já pode sentir que as coisas estão mudando e, um dia, vai perceber que suas mãos e pés gelados eram, na verdade, frio ou nervosismo. E o peso que ela sentia era coisa de sua cabeça. Vai perceber que não pertence a solidão muito menos a solidão lhe pertence. Vai, finalmente, entender que só estava frequentando os lugares errados.

domingo, 7 de abril de 2013

Seus conselhos nublados e minha utopia

       Não, não vou fazer o que dizes. Não, não preciso de seus conselhos nublados, furados.
      Parecia o utopia o que chorei pensando semanas atrás e agora está tão, tão perto. Por que tem que ser assim? Não sei, realmente não faço ideia, mas já não posso fazer nada. É como dizem, não se pode acordar um sonâmbulo.
       As palavras estão fugindo mas esse sentimento de profunda tristeza não vai embora, talvez sempre se fará presente. E não é pelo o que aconteceu e sim pelo o que é.
     Sim, estou triste. É o tipo de sentimento que fica encubado e de noite tortura. Você não pode ver? Só preciso de abraços para me acalmar - tenho passado os dias tremendo, nervosa, inquieta. Mas, se alguém fazer o favor de tentar acalmar-me, chorarei. Rios! Chorarei rios! 
       Exceto seus pais, não há ninguém que te ame tanto quanto eu agora - e ontem e anteontem e amanhã.
       Passar bem.
       Passarei mal.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Lado oculto da Lua

    Escrevo-te, lado oculto da Lua - e é assim que te chamarei. Pois assim como o lado que não vejo da Lua, de certo modo, não te enxergo também.
     Espero que entenda. Te vejo de longe, mas há um lado seu oculto para mim.
    Mostre-me quem és! Venha até mim e diga as verdades que preciso ouvir e eu lhe direi o que você tem de saber. És o oposto da simplicidade. És o lado sem luz da Lua e continua pensando que é um iluminado.
    Mas dizendo essas palavras sobre você, fico pensando o que sobra para mim. Somos tão iguais.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Pergunto-te

    Espero encontrar palavras e me fazer entender, preciso te dizer. Te dizer que não planejei nada mas de alguma maneira já sabia pois sentia; te dizer que me enlouquecem os fatos que nos afastam e os que aproximam são ora belos, ora detestáveis. 
    Não há arrependimentos, não há ressentimentos. E como irei ficar ressentida se nem te considerar chato por mais de 24 horas consigo? Vez em quando fico magoada, sim. Mas toda mágoa vem acompanhada da vontade de estar perto, de que tudo aconteça, pela primeira vez, certo. Nunca quis magoar, decepcionar, incomodar... Mas às vezes fico incontrolável. Mas o que me deixa assim? Você? Sim, você. Mas por quê? Eu não sei.
    As coisas acabaram sem fim, começaram sem começo. Em menos de uma semana já parecíamos amigos de décadas, mas depois de um ano talvez nem amigos somos. 
     Disseste gostar das minhas conversas, minha companhia, que sou diferente e isso soou tão bonito. Mas foi há tanto tempo, e agora? 
    Olha, eu não sei o que sinto, as coisas andam confusas do lado de cá. Também acho que poderias facilitar, mas também acho que não deve ser assim. Eu nunca passei por uma situação tão louca e só de lembrar que é tudo herança de um dia perfeito, fica tudo mais leve e me faz acreditar que era para ser.
     Será que ainda você lê o que escrevo? Será que ainda se importa com a amizade? Será que ainda me entende? Não faço ideia dessas respostas. Ah, já será bom se ao menos ler esse texto...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Minha Estrela

  Muitos amam a lua, eu amo uma estrela, discreta em meio a tantas outras a quem vê sem enxergar.  Com ela tenho toda a atenção do mundo, todo o universo de amor, um sol de paixão e uma galáxia inteira de saudade para cada dia do ano. Ah, estrela, tão linda... Embora todos se concentrem na lua, ela não é que nem você, ela pode ser única e mais visível a olho nu, mas brilhas sozinha, és magica! A mais bela pintura daquele cara lá de cima - e eu só tenho a agradecer a Ele, ôh se tenho.
  Estrela, será que me enxergas daí? Tão distante, tão solitária, tão formosa, o que verias em mim? Me lembro do dia em que liguei para você e nem ao menos atendeste, queria só ouvir um "alô" e fiquei com o som da secretária eletrônica me dizendo para deixar recado. Recado? Como assim? Não... Um "oi" seu me deixaria feliz por semanas, mas um recado meu talvez lhe fizesse pensar tantas coisas ruins como, por exemplo, quem é esse?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Segure minha mão

Ei, eu acho que te amo. Eu juro que não sei o que aconteceu, não me culpe de nada. Te vi de uma forma inesperada e agora você não sai da minha cabeça.
Ei, me dê um tempo para pensar e, em caso de certeza, prometa-me não quebrar esse coração inocente que eu prometo não fazer as mesmas besteiras que já fiz um dia com outras pessoas.
Ei, segure minha mão?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

É o amor que ninguém mais vê.

Deitados na cama, recordando os velhos tempos, eles se amam com um olhar, uma palavra, um gesto. Ela pensa que, se o coração falasse, diria que o ama intensamente. E ele concordava, pensando consigo mesmo que talvez eles conversassem quando seus peitos se unem num abraço apertado. O coração dele dispara e o dela voa na nuvens imaginárias do peito abarrotado de amor como confirmação da hipótese. É o amor que ninguém mais vê - só eles, só seus corações.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Aqueles momentos de saudade

 As coisas parecem que não mudaram somente pra mim. Há tempos suas fotos não têm sorrisos e as minhas são todos forçados momentos sim e momentos mais ainda. Chega esta hora da madrugada e bate uma saudade, uma falta de falar aquelas coisas bobas com você. Lembro-me, nessas horas, das vezes em que te liguei só para ouvir sua voz, nem que fosse um “Alô?” e desligar, e esperar seu retorno com um: “Oi, quer falar comigo?" e então, tentando não gaguejar, dizia qualquer futilidade.
 Lembro das vezes em que te cumprimentei nem que com um sorriso distante, por vergonha, medo, insegurança… Recordo-me de quando ficávamos trocando olhares e minha vontade era de ir correndo até você. Mas não podia. E você sabe porquê. Apesar destes últimos meses que prometi seguir e não lembrar do que ocorreu, ainda espero que voltemos a nos falar, apesar de qualquer coisa que tenha acontecido, fico me recordando de como se senti completa quando conversava contigo. Eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo, não conseguia parar de sorrir e meu coração disparava ao te ver. Quando alguém me pergunta sobre alguém especial é você que vem em minha mente. Ainda.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Desconhecido de si mesmo

 Certa vez um homem foi à Índia. Ele não sabia o que fazer, ver ou acreditar. Era um terrível homem sem coração. Viajou por viajar, amou sem amar, e enganou por enganar a quem acreditou que era realmente amada por ele.
 Obviamente não era alguém que as pessoas amavam conviver. Distanciou-se de quem lhe quis bem, juntou-se com quem não devia. Observava sem prestar atenção, amava sem coração, queria sem querer, vivia por viver.
 Certamente não fazia ideia de quem era, nem de onde viera. Só desejava mesmo era achar explicação para o que sentia. Talvez nem do próprio nome conhecimento tivesse. Ele realmente se perdeu ao tentar se encontrar. Dinheiro não era problema, porém não era o que precisava.
 Foi à França, Austrália, Rússia, Brasil, Argentina, encantou-se com o Japão, mas foi parar na Índia. E mais uma vez havia algo que não sabia: o que fazia lá. Há dez dias sem dar notícias nem receber ligações, pensou que agora estava bem. Viu-se pela primeira vez em paz, tirando férias de si mesmo.
 Os dias foram passando e o desconhecido dele mesmo já estava encontrando pessoas que valia a pena conhecer. Foi mesmo na Índia em que encontrou seu lar, seus amigos e sua paz. E foi quando jamais poderia imaginar que quem faltava chegou em sua vida, sua felicidade nasceu. Mas ele continuou um desconhecido. De si mesmo.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Teu olhar no meu



Me abraça forte. 
Como sempre faz em meus sonhos, nas noites escuras, 
as quais seu olhar clareia.
Olha nos meus olhos e sorri.
Deixa-me dizer que te amo, e diga também.
Me passe esta energia boa, me faça lembrar disto para sempre.
Diga e repita que me ama, e que vai estar comigo para sempre, 
me apoiando sempre, me amando sempre...


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Nova reunião


 Estávamos lá: sentados, pensativos, ilustres com suas ideias, e aquele espírito competitivo e tão inseguro - e egoísta. Sabíamos que era difícil uma ideia ser aceita. Tínhamos conhecimento de todas as pedras no caminho. Com certeza éramos todos bem informados. Mas todas as ideias, no fim, foram rejeitadas. Todos se sentindo como verdadeiros lixos, pensando que já era já foi, não era nem para ter começado. Mas era. Ah se era. Era sim.
 Não sabíamos ler mãos, ver futuro, ter previsões. Só sentíamos medos variados. Rostos diversos olhava-nos como se fossem superiores. Achamos que sim. Na verdade, tínhamos absoluta certeza.
Isso que foi o que aconteceu, como lixos no chão de grandes metrópoles voavam com o vento, alguns ficavam presos em postes, lixeiras, bueiros... Mas há quem continuou. O vento ajudou, ele se ajudou: se ergueu. Ao passar do dia pessoas e mais pessoas desistiam como se fosse apenas dizer "não". Era muito mais.
 Saber que aquilo pode mudar sua vida pode prejudicá-la: a angústia da ansiedade, agitação, tantos pensamentos para coisas novas - e em tão pouco tempo! Nossa! E, apesar de tudo, ainda devíamos continuar ali, firmes e fortes, sempre esperanto a nova reunião. Sim, aquela que seria tão útil para nós quanto para eles. Havia um sonho em comum em todos aqueles que paravam e os que seguiam em frente. E sim, poucos conseguiram. Mas tenho certeza de que, se haviam continuado, teriam alcançado.
 Preferiram parar e a nova reunião foi para quem continuou mesmo se sentindo um lixo jogado ao chão, conseguiu. O lixo virou matéria-prima riquíssima. Obviamente, foi surpreendente por um lado e perfeitamente aceitável pelo outro. Era tão óbvio! Como não tínhamos enxergado que o segredo era persistir, insistir? Foi um erro em massa tão banal! Mas eles enxergaram, eles conseguiram. Confiaram, batalharam e o dia da nova reunião chegou. A oportunidade lhe deu uma chance, um por cento. Era pegar ou lagar: e eles agarram-se com unhas e dentes.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Queridas pessoas, porque isto?

 Algo ocorreu, fui embora.
 Afastei-me de todos que se diziam minha família, eu sabia que não, mas amava-os.
 Pouco tempo passou, me taxaram de traidor. Eu não sei o que fiz de tão grave, juro-te. Anos e dias se passando, já não mais atendiam o telefone, só para me dizer se estavam bem. Eu queria saber.
 Cada minuto que se passava eu ia sentindo que o sentimento se desgastava, já não era bem recebido como antes. Eu chegava em suas casas, e minha presença incomodava, queriam que eu fosse embora. Eu ia. Mas mal conseguia matar a saudade que sentia deles.
 O tempo passou, e eu chegava em suas casas como um estranho. Acabou a convivência, a paciência, e talvez, os sentimentos.
 Olhava-os e não os reconhecia. Mudaram tanto! Talvez eu vá embora, mas ainda quero ficar...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O seu antigo hoje, fez seu novo agora

  Era outono, em uma tarde chuvosa, eu avistava a rua pela janela de meu quarto. Via poças e mais poças de água nas calçadas, eu tinha 17 anos. Em meio raios e trovões, um menino de aproximadamente 11 anos, cabelos ruivos e olhos escuros, batia a porta, fui eu que o atendi. Chamava-se Theodore e pedia abrigo, fechei a porta com força, fazendo barulho. Era eu fazendo uma vítima de uns dos meus preconceitos. Foi neste instante que papai ouviu a batida da porta e me perguntou o que era, e eu lhe respondi: "Apenas mais um mendigo infernizando-nos". Papai ficou boquiaberto com o que disse-lhe, e na hora não dei muita importância, voltei para meu quarto. Não era uma menina que não havia "nascido em berço de ouro", mas minha família estava crescendo nos negócios.
 Na manhã seguinte a este acontecimento, fiquei revoltada com o que vi: um mendigo dentro de casa, tomando café da manhã com meu pai. Eis o que escrevi em meu diário: "... Não sei porquê papai nasceu com este defeito de ser generoso, olhe o que o aconteceu! Ele trouxe este trapo humano para dentro de casa. Talvez papai adote ele - o que não deixarei de jeito nenhum - ou ajude botando-o em um abrigo. Maldição!!!".
  Mas mal podia saber o que ocorreria 14 anos depois... A empresa de meu pai prendera fogo, e ele perdera tudo, voltando a ser pobre. Eu, na época grávida de oito meses, entrei em trabalho de parto no meio de uma avenida movimentada e fui levada para o hospital. Chegando lá, Theodore, que havia se tornado médico, com ajuda de papai, salvou a mim e meu filho. Logo depois que as coisas normalizaram-se, levou-me para sua casa, chegando lá, deparei-me com minha família aguardando minha volta ansiosamente. Foi quando ouvi a minha maior lição de vida de meu pai: "A vida dá voltas, Elisabeth. Um dia estamos por cima, em outro por baixo. Se ouvisse suas birras de menina mimada, nós não teriámos nem onde ficar. Ajude para ser ajudada!".

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Caos de uma vida sem sentido

"São seis horas da manhã. Onde está você agora? Minha única companhia é a insônia. Parece que você e meu sono fugiram: sou tão ruim assim?
E eu ainda sinto o cheiro daquela bebida que você derramou no chão, e daquelas outras vezes que fizestes com que as pessoas em volta sentissem vergonha sua. Qual o sentido desta sua vida?
Sete e meia da manhã. Ainda estou aqui, chorando e esperando. Onde está você nas horas que mais preciso?
Este seu vício por estas coisas, essas que te fazem mal e só você não vê, estão acabando contigo.
Eu preferia você antes. E, sinceramente, acho que você nem notou isto. O egoísmo domina sua mente.
Por favor, pare! Você esta se maltratando. E eu aqui, chorando e sofrendo. Você não se importa? Este vício é tão importante assim? Incompreensão a minha, ou egoísmo seu? Diga: o que você pretende?"

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um simples sorriso

 Eu sorri, e foi assim que tudo começou.
 Você sabe o que é encontrar alguém que nunca tinha visto antes, e ter a impressão e que o conhece há muito tempo? Eu não sabia.
 De repente, reconheci um olhar, que aparentemente, reconheceu o meu. Foi estranho. Mágico, talvez. Mas foi achando que era bobagem minha, que talvez eu nunca mais veja aquele olhar de novo.
 Pensar nisso me deixa triste. Ou melhor, me deixava.
 Foi em um dia qualquer, em um lugar qualquer, em uma hora desconhecida por mim, que eu ouvi:
- Oi.
 E foi em poucos minutos - também desconhecidos por mim - depois, que eu já estava conversando com alguém desconhecido, até pouco tempo, como nunca conversei com ninguém.
 Bastou outros encontros, outros dias, outras cartas e muitas proibições de um uma época totalmente machista, que eu ouvi de alguém, que era diferente de todo mundo, três palavras que nunca pensei escutar, não naquele momento, eu ouvi, juro que eu ouvi:
- Eu te amo!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Tudo que a guerra causou

Era início do século XX. Éramos eu e mais três irmãos, meus pais viviam bem, eram felizes, trabalhavam muito para nada faltar para nós. Até um dia, que eu ouvi, pela madrugada, antes do nascer do Sol, um barulho, que não sabia o que era. Foi um som muito alto, altíssimo. Meus pais pareciam que sabiam, que aquilo poderia acontecer, mas não iriam contar para uma menina de dez anos, querendo proteger a mim e meus irmãos. O barulho de que ouvi foi de uma granada. Haviam também soldados, não os vi, naquele momento, só depois, quando meus pais vieram correndo buscar eu e meus irmãos para fugirmos de lá. Fugimos, passamos fome, mas a guerra atingiu a cidade inteira. Tivemos que fugir da cidade, viajamos de barco, meu pai depois me contou de que estavámos indo embora do nosso país, talvez nunca mais voltaríamos para lá. Fiquei triste, e ele então me contou, que nós iríamos para um lugar calmo, que não fazia tanto frio, como aonde morávamos. Fiquei mais contente - ou conformada. Mas não queria ter que abandonar meu país. Mesmo que na época tinha apenas dez anos.
Quando chegamos nesse novo país, conheci pessoas novas, estavámos em paz lá. O tempo foi passando, eu fui crescendo, parecia que todos tinham se adaptado bem a este país... menos eu. Não era somente o fato da língua ser diferente, eram tantas coisas, que nunca consegui explicar. O tempo foi passando, formei minha família, amava meus filhos, mas o marido já não amava mais, nos separamos.
Fui então, morar em outro país, com meu namorado, deixei nesse país estranho - para mim - minha família. Tentei substituir, pois neste país que eu e meu namorado fomos, falamos a mesma língua de lá na minha terra. Mas não consegui, é impossível conseguir, ao menos para mim. Ainda sinto saudades, ainda não me adaptei, ainda quero voltar para casa... Mas a idade avançada, já não permite que isso aconteça. Ainda choro por tudo que aquela guerra causou.

sábado, 12 de junho de 2010

Dois desconhecidos

Eu lhe mando um beijo toda a noite, antes de dormir, quando acordo, e sempre que possível, por pensamentos.
Não sabes, eu sei. Te conheço, não me conheces.Te espero. Às vezes quero pensar em outra coisa. Consigo? Claro que consigo, mas não esqueço. Espero que tudo o que eu mais quero se realize. Mas não basta só querer, tenho que agir. São várias coisas, quase todas por meu mérito, por minha luta. Só uma que não: Você.
Sem nada a esperar, é querer o bem de quem está distante, de quem nem sabe que existo. Talvez saiba.
Já deve ter esquecido, eu acho. Espero que não.
Mas isso é tão diferente, que não sei como agir, como pensar, com reagir a qualquer ato que parece uma aproximação. Paraliso.
Até hoje só ganhei seus olhares, foi melhor do que qualquer beijo sem sentido, sem sentimento que as pessoas distribuem por aí. Não foi crime, foi sem intenção.
Eu sorri para você, você sorriu para mim.

Ficção

sábado, 1 de maio de 2010

Entenda o que preciso dizer...

Quanto mais eu rezo, mais assombrações me aparecem. O que adianta querer o bem dos outros se eles querem o meu mal? Eu sei que mesmo assim tenho que continuar querendo o bem deles, mas minha fé está abalada.
Meus maiores medos são possivelmente os maiores sonhos dos outros para que aconteça comigo! É o que parece. Sempre a culpa é minha, sempre a mais invejada sou eu... E depois não sabem o motivo de eu querer ir para outro lugar... Preciso dizer mais? Eu fico dias e dias, todas as tardes, finais de semana e feriados em casa. Depois querem que eu seja feliz.
Eles cobram de mim coisas só porque sou menina, outras coisas que eu não quero ser ou fazer, outras coisas que todos amam menos eu, e quer saber? Eu estou cansada disso tudo, falta muito tempo ainda que eu vou ter que aguentar as mesmas coisas todos os dias, até que um dia eu voe, e fique feliz. Me sustentando sozinha, vivendo sem tudo o que sempre me incomodou, e quem sabe aonde eu sempre quis estar, em Madrid. E se isso acontecer, eu espero que eu seja feliz, que não me decepcione, e não tenha que dizer de novo tudo o que eu disse aqui hoje!
Eu só quero ser feliz, fazer o bem, e principalmente viver: o que eu não sei muito bem o que é, preciso respirar... Alguém me 'libera' para isso?
Desejaram que acontecesse o maior dos meus medos, que vai atormentar possivelmente todo esse ano para ensinar aos outros, o que eu tenho a ver com isso?
Desde o final do ano passado todo mundo me atormenta com essa história, me deixando insegura, agora desejar que isso aconteça é o fim...
Eu preciso de um espaço só meu, onde eu possa organizar meus pensamentos, me livrar sozinha dos meus medos e isso é muito difícil de acontecer. Eu preciso de felicidade, privacidade, amizade, companheirismo, amor, liberdade, e paz. Não sei porque, mas acho meio difícil...

Ficção ou não